Programas
Os dez anos de existência do Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo são comemorados nesta edição do Panorama Brasil. A mostra apresenta 66 filmes finalizados nos últimos doze meses e registra sua maior marca de títulos inscritos (108), de estados participantes (13) e de diretores estreantes (53%). Assim, o cinema de curta duração feito no país demonstra vitalidade produtiva, confirma sua diversidade cultural e garante a renovação de talentos.
Com o Festival de Curtas de São Paulo, a realização brasileira no formato ganhou uma privilegiada vitrine, responsável pela exibição de 618 filmes em dez edições. O levantamento e o registro efetuados pelo evento transformam seus arquivos na mais rica fonte de consulta sobre o curta-metragem nacional a partir de 1990, acumulando informações de 726 trabalhos inscritos nesse período.
O filme curto brasileiro chega ao final da década com motivos para festejar. A produção ganha através de novo concurso federal, retorna o tradicional Prêmio Estímulo de São Paulo, concursos de fomento tem lugar em estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e em cidades como Juiz de Fora (MG). A difusão amplia-se significativamente em emissoras de televisão, com programas exclusivos ao formato: Curta Brasil (TVE), Curta na Tela (Canal Brasil), Curta em Movimento (TV Comunitária/SP), Cinema na TV (TV Comunitária e TV Universitária/RJ), entre outros. Até mesmo em salas do circuito exibidor conquista-se espaço crescente, através de projetos permanentes em Porto Alegre (Curta nas Telas), São Paulo (Curta às Seis) e Rio de Janeiro (Curtas no Estação). Também fitas de vídeo são lançadas periodicamente, colocando em locadoras compilações organizadas por autores, temas ou regiões. Hoje, pode-se assistir a curtas no interior do país - graças ao projeto itinerante Mambembe - e no Aeroporto Internacional de São Paulo.
Formato de ponta do audiovisual, o curta-metragem no Brasil alcança índices inéditos nos últimos dez anos quanto a títulos produzidos, novos autores revelados e regiões onde é praticado. Também desfruta de visibilidade e atinge um público sem precedentes em sua história.
A década de 90 pode ser celebrada, portanto, como a década do curta brasileiro.
Francisco Cesar Filho
Coordenador de Programação